Preço da cesta básica caiu 2,24% em João Pessoa, no mês de setembro

DIEESE – Entre agosto e setembro, o preço médio da cesta de alimentos em João Pessoa teve queda de -2,24%, ficando em R$ 359,62. Foi o quarto menor preço registrado entre as 17 pesquisadas pelo DIEESE. Em 12 meses, a variação acumulada foi de 9,31%. No ano, a variação foi de 4,17%.

Entre agosto e setembro, seis produtos apresentaram queda: tomate (-15,72%), feijão (-3,57%), carne bovina de primeira (-1,52%), leite integral (-1,02%), pão francês (-0,97%) e café em pó (-0,80%). As altas foram registradas para os demais produtos: farinha (9,78%), óleo de soja (4,76%), banana (4,74%), açúcar refinado (1,32%), arroz agulhinha (0,66%) e manteiga (0,39%).

Em 12 meses, nove produtos acumularam alta: tomate (46,58%), feijão carioquinha (35,79%), banana (20,61%), açúcar refinado (12,68%), pão francês (6,37%), carne bovina de primeira (5,65%), óleo de soja (3,94%), arroz agulhinha (1,42%) e manteiga (0,26%). Três produtos apresentaram queda: farinha (-13,49%), café em pó (-12,04%) e leite integral (-7,38%).

O trabalhador pessoense cuja remuneração equivale ao salário mínimo necessitou cumprir jornada de trabalho de 79 horas e 16 minutos, em setembro de 2019, para comprar a cesta. Em agosto, o tempo necessário foi de 81 horas e 5 minutos. Já em setembro de 2018, a jornada média era de 75 horas e 52 minutos.

Em setembro de 2019, o custo da cesta em João Pessoa comprometeu 39,17% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários), percentual menor que o de agosto (40,06%). Em setembro de 2018, equivalia a 37,48%.

Setembro: custo da cesta diminui em 16 capitais

Entre agosto e setembro de 2019, o custo do conjunto de alimentos essenciais seguiu em queda e foi menor em 16 cidades, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em 17 capitais. As diminuições mais expressivas ocorreram em Fortaleza (-4,63%), Curitiba (-3,73%) e Brasília (-3,10%). A única alta foi registrada em Recife (1,53%).

A capital com a cesta mais cara foi São Paulo (R$ 473,85), seguida de Porto Alegre (R$ 458,29), Rio de Janeiro (R$ 458,21) e Florianópolis (R$ 454,94). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 328,70) e Salvador (R$ 345,04).

Em 12 meses, entre setembro de 2018 e o mesmo mês de 2019, com exceção de Aracaju (-3,98%), todas as capitais acumularam alta, que oscilaram entre 3,44%, em Campo Grande, e 10,51%, em Goiânia.

Entre janeiro e setembro de 2019, nove municípios pesquisados acumularam taxas negativas, com destaque para Aracaju (-8,38%), Campo Grande (-6,12%) e Belo Horizonte (-4,35%). Outras oito cidades tiveram taxa positiva. A mais alta foi verificada em Recife (7,81%).

Com base na cesta mais cara que, em setembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em setembro de 2019, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.980,82,ou 3,99 vezes o mínimo de R$ 998,00. Em agosto de 2019, o piso mínimo necessário correspondeu a R$ 4.044,58, ou 4,05 vezes o mínimo vigente. Já em setembro de 2018, o valor necessário foi de R$ 3.658,39, ou 3,83 vezes o salário mínimo, que era de R$ 954,00.

Cesta básica x salário mínimo

Em setembro de 2019, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica totalizou 88 horas e 25 minutos, e, em agosto, 90 horas e 24 minutos. Em setembro de 2018, quando o salário mínimo era de R$ 954,00, o tempo médio foi de 85 horas e 35 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, 43,68% da remuneração para adquirir os produtos. Esse percentual foi inferior ao de agosto, quando ficou em 44,66%. Em setembro de 2018, quando o salário mínimo valia R$ 954,00, a compra demandava 42,29% do montante líquido recebido.

Comportamento dos preços

Entre agosto e setembro de 2019, foi observada tendência de queda nos preços do tomate, da batata, pesquisada na região Centro-Sul, do feijão e do café em pó. Já as cotações do óleo de soja e da banana aumentaram na maior parte das cidades.

O preço médio do tomate diminuiu em 16 capitais. As quedas variaram entre -37,26%, em Brasília, e -5,36%, em Natal. Em Recife, houve alta de 5,70%. Em 12 meses, quase todas as capitais apresentaram taxas positivas, que variaram entre 5,91%, em Florianópolis, e 51,88%, em Recife. As diminuições ocorreram em Goiânia (-19,68%) e Brasília (-9,22%). O calor fez com que os tomates maturassem mais cedo, o que elevou a oferta e diminuiu o preço no varejo.

A batata, pesquisada na região Centro-Sul, teve o preço médio reduzido em 10 cidades, com taxas que oscilaram entre -24,95%, em Brasília, e -7,12%, em São Paulo. Em 12 meses, no entanto, as variações foram positivas e muito altas, principalmente em Porto Alegre (110,55%), Belo Horizonte (105,00%) e Curitiba (104,65%). Apesar da baixa qualidade de parte das batatas ofertadas, a safra de inverno abasteceu o mercado e diminuiu o preço no varejo.

Em setembro, o preço médio do feijão diminuiu em 15 cidades. O tipo carioquinha, pesquisado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, apresentou queda em quase todas as cidades, com variações entre -11,78%, em Campo Grande, e -1,75%, em Brasília. Em Recife, o preço não se alterou. Já o feijão preto, coletado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, aumentou nesta última cidade (0,95%) e teve queda nos outros municípios: Curitiba (-7,62%), Vitória (-4,64%), Florianópolis (-4,29%) e Porto Alegre (-1,90%). Em 12 meses, o preço médio do grão carioquinha acumulou alta em todas as capitais, com taxas que variaram entre 31,32%, em São Paulo, e 56,96%, em Goiânia. As variações acumuladas do tipo preto também foram positivas, mas em patamares menores: entre 5,12%, em Vitória, e 20,39%, em Florianópolis. A oferta do grão carioca esteve normalizada na maior parte do mês. O bom nível do tipo preto ofertado deveu-se à importação do grão.

Houve redução também no preço médio do quilo do café em pó em 13 cidades. As quedas oscilaram entre -7,02%, em Curitiba, e -0,09%, no Rio de Janeiro. Já as altas foram registradas em Goiânia (4,47%), Brasília (2,71%), Florianópolis (1,33%) e São Paulo (0,99%). Em 12 meses, o valor subiu apenas em Goiânia (7,87%) e diminuiu nas demais cidades, com destaque para Aracaju (-16,53%) e Campo Grande (-15,91%). A queda nos preços do café no varejo são resultantes do início da safra, que aumenta a oferta do grão; da retração dos produtores à espera de melhores preços; das incertezas em relação ao clima, que pode afetar as floradas; das oscilações do preço internacional e do dólar.

Houve aumento do preço médio da lata de óleo de soja em todas as capitais, entre agosto e setembro. As taxas oscilaram entre 0,25%, em Recife, e 8,01%, em Vitória. Em 12 meses, o produto teve alta em 13 capitais, com destaque para Goiânia (26,04%) e Curitiba (9,07%). Em Campo Grande e Salvador, não houve variação. Em outras duas cidades, foram observadas reduções: Brasília (-1,81%) e Rio de Janeiro (-0,27%). Houve aumento da demanda do óleo de soja para produção de biodiesel e, com a diminuição da oferta, aumentou o preço no varejo.

O valor médio da banana subiu em 15 capitais. A pesquisa coleta os tipos prata e nanica e faz uma média ponderada dos preços. As altas oscilaram entre 1,42%, no Rio de Janeiro, e 20,66%, em Curitiba. As reduções foram anotadas em Fortaleza (-5,86%) e Vitória (-2,38%). Em 12 meses, o preço da fruta subiu em 16 cidades, com destaque para Belo Horizonte (64,71%), Vitória (48,61%) e Porto Alegre (36,97%). A única taxa negativa acumulada foi registrada em Aracaju (-9,98%). A baixa oferta da banana prata e da nanica explicou o comportamento altista no varejo.

Fonte: DIEESE

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