Em agosto, comércio varejista ampliado paraibano apresentou queda de -5,7% no volume de vendas, e de -3,3% nas receitas nominais, na comparação com o mesmo mês no ano anterior. Da mesma forma em que aconteceu no mês de julho, a Paraíba apresentou o segundo pior resultado entre as unidades da federação, ficando atrás apenas do estado do Piauí, cuja redução foi de -6,4% no volume de vendas, e de -3,6% nas receitas nominais. No ano, as reduções nos dois indicadores são de -4% e -0,7%, respectivamente. Esses dados foram apontados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgado pelo IBGE.

Gráfico 1: Volume de vendas no comércio varejista ampliado

Unidades da federação, agosto de 2019

Variação mensal % (base: igual mês do ano anterior)

Fonte: PMC. IBGE. Elaboração: Econsult

Gráfico 2: Receitas nominais de venda no comércio varejista ampliado

Unidades da federação, agosto de 2019

Variação mensal % (base: igual mês do ano anterior)

Fonte: PMC. IBGE. Elaboração: Econsult

Os números apresentados na tabela 1 mostram que esse desaquecimento no comércio varejista local está sendo algo generalizado entre os estados do Nordeste no ano de 2019. Percebe-se que entre os dez piores resultados no Brasil, sete estados são nordestinos. Apenas os estados do Ceará e de Pernambuco não ficaram nessa lista, dado que apresentaram uma variação positiva de 1,8% e 3%, no volume de vendas, e 5% e 5,6% nas receitas nominais de vendas do comércio, respectivamente.

Os melhores resultados do país para o mês de agosto foram verificados nos estados do Amapá (+16,3% no volume de vendas e +19,8% nas receitas nominais), Santa Catarina (+8,8% no volume de vendas e 11,6% nas receitas nominais) e Mato Grosso (+7,2% no volume de vendas e +9,2% nas receitas nominais).

Em um passado recente, o comércio varejista da Paraíba sempre se destacou por apresentar os melhores resultados do país, principalmente nos anos de maiores crescimentos da economia brasileira. Em 2010, para o acumulado de janeiro a agosto, o comércio varejista ampliado paraibano registrou o quarto melhor resultado do país (crescimento de 18%) no volume de vendas, perdendo apenas para Tocantins (35,1%), Rondônia (26,3%) e Espirito Santo (22,4%). Já em 2011 e 2013, com variações de 11,6% e 9%, respectivamente, a Paraíba obteve o quinto e o quarto melhor resultado entre as unidades da federação.

Em 2015, após apresentar no ano anterior o quinto maior crescimento do país (alta de 2,7%) no volume de vendas, a Paraíba registrou o terceiro pior resultado entre os estados (queda de -11,3%). Após assistir a uma nova redução em 2016  de -7,3%, o comércio paraibano voltou a apresentar um incremento em suas vendas no acumulado de janeiro a agosto de 2017 (1,3%) e de 2018 (5,4%), todavia, o ano de 2019, mostra uma reversão nessa tendência na medida em que se percebe novamente um dos piores desempenhos do país.

Esses números mostram evidências de que os períodos de crescimento da economia brasileira, aliados a políticas públicas voltadas a promoção de distribuição de renda entre as diferentes unidades do país, fazem com que estados como a Paraíba, que possuem um consumo muito suprimido pela alta desigualdade econômica existente em sua sociedade, tendam a ter um aquecimento relativamente maior do que os demais estados. Porém, o contrário se verifica nos períodos de recessão – a Paraíba passa a se situar entre os piores resultados no que tange a dinâmica do comércio varejista.

Gráfico 3: Variação acumulada no ano do volume de vendas no comércio varejista ampliado – Paraíba

Janeiro a agosto – 2010 a 2019

Fonte: PMC. IBGE. Elaboração: Econsult

No ano de 2018, a Paraíba apresentou um crescimento de 5,4% no volume de vendas e de 6,8% nas receitas nominais das vendas do comércio. Como o resultado do volume de vendas nos oito primeiros meses de 2019 já apresentou uma redução (-4%) que praticamente anulou a variação do ano anterior, percebe-se que dificilmente 2019 terá um crescimento que atinja patamares antes encontrados pelo comércio paraibano em seu auge de expansão.

Gráfico 4: Variação acumulada no ano nas receitas nominais de vendas no comércio varejista ampliado – Paraíba

Janeiro a agosto – 2010 a 2019

Fonte: PMC. IBGE. Elaboração: Econsult

A falta de investimentos, as baixas expectativas sobre um possível retorno do crescimento da produção no estado, a queda do emprego e da renda da população, a redução das políticas de transferência de renda, a redução do crédito na economia, e não menos importante, o achatamento que tem sido dado a  política de valorização de salário mínimo nos últimos anos, são aspectos que, enquanto não forem enfrentados, continuarão causando uma maior queda no dinamismo do comércio paraibano, trazendo prejuízos tantos para empresário locais como para os trabalhadores dessas atividades.

Renato Silva de Assis (Economista)

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