DIEESE: Preço da carne sobe em todas as capitais pesquisadas

Entre outubro e novembro de 2019, o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em nove cidades e diminuiu em sete[1], de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em 17 capitais. As altas mais expressivas ocorreram em Vitória (7,89%), Florianópolis (4,45%) e Campo Grande (3,12%). As quedas mais importantes foram anotadas em Porto Alegre (-2,03%) e Curitiba (-1,95%).

A capital com a cesta mais cara foi Florianópolis (R$ 478,68), seguida de São Paulo (R$ 465,81), Vitória (R$ 462,06) e Rio de Janeiro (R$ 455,37). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 325,40) e Salvador (R$ 341,45).

Em 12 meses, entre novembro de 2018 e o mesmo mês de 2019, nove capitais acumularam alta, que oscilaram entre 0,30%, em Campo Grande, e 13,10%, em Vitória. A queda mais intensa ocorreu em Aracaju (-6,96%)

Em 2019, 10 municípios pesquisados acumularam taxas negativas, com destaque para Aracaju (-9,30%) e Belo Horizonte (-3,70%). Outras seis cidades tiveram aumento. A alta mais expressiva ocorreu em Vitória (14,43%).

Com base na cesta mais cara que, em novembro, foi a de Florianópolis, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em novembro de 2019, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 4.021,39,ou 4,03 vezes o mínimo de R$ 998,00. Em outubro de 2019, o piso mínimo necessário correspondeu a R$ 3.978,63, ou 3,99 vezes o mínimo vigente. Já em novembro de 2018, o valor necessário foi de R$ 3.959,98, ou 4,15 vezes o salário mínimo, que, na época, era de R$ 954,00.


Cesta básica x salário mínimo

Em novembro de 2019, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica totalizou 89 horas e 10 minutos, e, em outubro, 88 horas e 39 minutos. Em novembro de 2018, quando o salário mínimo era de R$ 954,00, o tempo médio foi de 91 horas e 13 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em novembro, 44,05% da remuneração para adquirir os produtos. Esse percentual foi maior do que o de outubro, quando ficou em 43,80%. Em novembro de 2018, quando o salário mínimo valia R$ 954,00, a compra demandava 45,07% do montante líquido recebido.

Comportamento dos preços[1]

Entre outubro e novembro de 2019, foi observada tendência de alta nos preços da carne bovina de primeira, do óleo de soja e do feijão. Já as cotações do tomate e da batata, pesquisada na região Centro-Sul, diminuíram na maior parte das cidades.

A carne bovina de primeira apresentou aumento de preço em todas as cidades. As altas variaram entre 1,15%, em Recife, e 19,37%, em Vitória. Em 12 meses, houve redução apenas em Aracaju (-5,71%), enquanto os aumentos foram de 1,30%, em Campo Grande, a 30,81%, em Florianópolis. Altos volumes de carne têm sido exportados para a China, devido ao ano novo chinês; o período também é de entressafra bovina e o custo de reposição do bezerro está muito alto. Por fim, o dólar desvalorizado estimulou as exportações. Todos esses fatores encareceram o valor da carne no varejo[1].

O preço médio da lata de óleo de soja aumentou em 12 cidades. As altas oscilaram entre 0,25%, em Recife, e 4,66%, em Campo Grande. O preço não variou em Porto Alegre e diminuiu em Florianópolis (-0,79%), João Pessoa (-0,48%) e Belo Horizonte (-0,28%). Em 12 meses, todas as cidades tiveram altas acumuladas, com destaque para Vitória (16,72%) e Goiânia (16,16%). A demanda por óleo de soja para produção de biodiesel seguiu forte e reduziu a oferta no varejo.

O valor do feijão aumentou em 11 cidades entre outubro e novembro de 2019. O tipo carioquinha, pesquisado nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, apresentou variações positivas em oito capitais, que oscilaram entre 1,27%, em Recife, e 5,77%, em Belo Horizonte. As quedas ocorreram em São Paulo (-2,55%), Salvador (-0,58%) e João Pessoa (-0,17%). Já o feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, teve alta em três capitais. Em Vitória, subiu 7,25%, em Florianópolis, 0,91%, e em Curitiba, 0,45%. As quedas foram anotadas no Rio de Janeiro
(-3,92%) e em Porto Alegre (-3,13%). Em 12 meses, o preço médio do grão carioquinha acumulou alta em todas as capitais: as taxas variaram entre 34,10%, em João Pessoa, e 67,22%, em Goiânia. As variações acumuladas do tipo preto também foram positivas, mas em patamares menores: entre 2,83%, no Rio de Janeiro, e 11,31%, em Florianópolis. Apenas em Porto Alegre foi registrada redução de -1,28%. A baixa oferta do feijão carioquinha elevou os preços no varejo e também fez com que a demanda pelo tipo preto aumentasse.

O preço médio da batata diminuiu nas nove capitais do Centro-Sul. As quedas oscilaram entre -17,85%, no Rio de Janeiro, e -1,21%, em Vitória. Em 12 meses, as capitais ainda apresentaram taxas positivas, que variaram entre 18,65%, em Florianópolis, e 55,24%, em Vitória. Mesmo com a baixa qualidade de muitos tubérculos, o excesso de oferta reduziu o preço no varejo.

O quilo do tomate diminuiu em 15 capitais e aumentou em Vitória (31,72%). As quedas oscilaram entre -31,16%, no Rio de Janeiro, e -5,74%, em Goiânia. Em 12 meses, houve elevação do valor médio do quilo apenas em Recife (6,61%); nas demais capitais, foi observada queda de preço, com destaque para a variação de Belo Horizonte (-65,59%) e Rio de Janeiro (-62,25%). Excesso de oferta, devido ao calor, reduziu o preço no varejo.

João Pessoa

Em novembro, o preço médio da cesta de alimentos em João Pessoa foi de R$ 347,14, o que significou queda de -1,15% em relação ao valor de outubro. Foi o terceiro menor custo registrado entre as 16 capitais pesquisadas. Em 12 meses, a variação acumulada foi de 2,28%. Em 2019, ficou em 0,56%.

Oito produtos apresentaram redução de preço entre outubro e novembro: tomate (-17,54%), açúcar refinado (-3,17%), banana (-2,87%), café em pó (-1,01%), pão francês (-0,69%), óleo de soja (-0,48%), arroz agulhinha (-0,38%) e feijão carioquinha (-0,17%). Os aumentos foram apurados na carne bovina de primeira (2,89%), na manteiga (0,67%), arroz (0,50%) e no leite integral (0,26%).

Em 12 meses, os cinco itens com baixa acumulada foram: tomate (-27,47%), café em pó (-11,53%), farinha (-9,84%), leite integral (-6,67%) e arroz agulhinha (-1,03%). As taxas acumuladas foram positivas para: feijão (34,10%), banana (27,21%), óleo de soja (8,59%), carne bovina de primeira (7,80%), açúcar refinado (5,94%), pão francês (1,61%) e manteiga (0,87%).

O trabalhador pessoense cuja remuneração equivale ao salário mínimo necessitou cumprir jornada de trabalho de 76 horas e 31 minutos, em novembro de 2019, para comprar a cesta. Em outubro, o tempo necessário foi de 77 horas e 25 minutos. Já em novembro de 2018, a jornada média era de 78 horas e 16 minutos.

Em novembro de 2019, o custo da cesta em João Pessoa comprometeu 37,81% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários), percentual menor que o de outubro (38,25%). Em novembro de 2018, equivalia a 38,67%.

Fonte: DIEESE


[1]  O preço da carne deve seguir em elevação em virtude da data de coleta da pesquisa.



[1] Fontes de consulta: Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – ESALQ/USP, Unifeijão, Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, Embrapa, Agrolink, Globo Rural, artigos diversos em jornais e revistas.


[1] Em novembro, houve um problema na coleta e a cesta de Brasília não pode ser calculada.

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