Desemprego vai a 12,2% com avanço da pandemia do coronavírus

População desocupada chegou a 12,85 milhões no primeiro trimestre

O desemprego no Brasil foi a 12,2% no trimestre encerrado em março, o primeiro mês em que o país sente os efeitos econômicos do novo coronavírus, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (30).

A população desocupada pulou de 11,632 milhões no trimestre encerrado em dezembro de 2019 para 12,850 milhões nos três meses encerrados em março de 2020. Foi uma alta de 10,5% no total de desocupados, o que corresponde a mais 1,218 milhão de pessoas na fila do desemprego.

O registro representa uma alta de 1,3 ponto percentual na comparação com o último trimestre de 2019. São 1,2 milhão de pessoas a mais na fila por um emprego no país.

Apesar disso, a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, apontou que o crescimento era esperado também por um fator sazonal e foi ainda menor do que o 1,7 ponto percentual da mesma época de 2017.

“O primeiro trimestre de um ano não costuma sustentar as contratações feitas no último trimestre do ano anterior. Essa alta na taxa, porém, não foi das mais elevadas”, disse a analista da pesquisa.​

O secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, estimou nesta quinta que a taxa de desemprego no país pode até dobrar por conta dos impactos da crise do coronavírus na economia.

“No Brasil a gente já estava com taxa de desemprego elevado. Presume-se que esse desemprego anterior possa aumentar entre 50% a 100% do que era a taxa anterior”, afirmou ele, em live promovida pelo banco Credit Suisse.

“Nós só vamos saber disso nos meses de julho, agosto, para verificar qual o tamanho do estrago do coronavírus no Brasil”, completou.

A Pnad de março mostrou perdas em todos os setores de atividades, como indústria (2,6%), construção (6,5%), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (3,5%), alojamento e alimentação (5,4%), outros serviços (4,1%) e serviços domésticos (5,9%).

As quedas em comércio, alojamento e alimentação e outros serviços, como cabeleireiros e outros prestados às famílias​, foram as maiores da série histórica desde 2012. Os setores podem ter sofrido os impactos da pandemia, com governos estaduais e municipais decretando quarentenas, e lojas, bares, restaurantes e shoppings fechados.

De acordo com o coordenador do IBGE Cimar Azeredo, os resultados da pesquisa mostram reflexos do novo coronavírus no Brasil. “Tivemos influência expressiva da Covid-19. Não temos como separar sazonalidade e efeitos da pandemia e do distanciamento social, mas de claro temos efeitos”, apontou. “Alimentação não costuma ter queda nessa época, mas ela ocorreu”, completou a analista Adriana Beringuy.

Segundo o IBGE, a queda no serviço doméstico também foi um recorde, assim como o recuo de 7% no emprego sem carteira assinada do setor privado. Também caíram o emprego com carteira e o por conta própria sem CNPJ.

A Pnad divulgada nesta quinta ainda registrou o maior recuo da série histórica na população ocupada, reduzindo em 2,5% o contingente, cerca de 2,3 milhões de pessoas, sendo 1,9 milhões de trabalhadores informais.

taxa da informalidade apresentou variação de 41% no último trimestre de 2019 para 39,9% no primeiro trimestre deste ano. São 36,8 milhões de trabalhadores.

“Foi uma queda disseminada nas diversas formas de inserção do trabalhador, seja na condição de trabalhador formal ou informal”, concluiu a analista da pesquisa Adriana Beringuy.

Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

Outro grupo que bateu recorde foi a força de trabalho, que subiu para 67,3 milhões, quebrando a marca desde 2012. Esse grupo é composto por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram entre os desalentados. Esses são aqueles que desistiram de procurar emprego e somaram 4,8 milhões.

“A população fora da força de trabalho já vinha crescendo, e é importante lembrar que no primeiro trimestre de cada ano, essa população costuma aumentar, porque é um período de férias e muita gente interrompe a procura por trabalho”, disse Adriana Beringuy.

Por ser pesquisada de maneira trimestral, a Pnad desta quinta apresenta números de janeiro, fevereiro e março, sendo que os dois primeiros ainda não haviam sido totalmente afetados pela crise econômica que se instalou no país após a chegada do novo coronavírus. Os efeitos começaram a ser sentidos apenas na segunda quinzena do mês passado.

Também reflexo da pandemia, o IBGE realizou a pesquisa pela primeira vez por telefone, com objetivo de proteger os trabalhadores. Estava, porém, com dificuldades de ouvir os brasileiros.

O coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, explicou a dificuldade para fazer a coleta de dados da Pnad, que teve taxa de resposta dos entrevistados de 61,6%, bem menor do que os cerca de 88% do mês de dezembro, por exemplo.

Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

Outro grupo que bateu recorde foi a força de trabalho, que subiu para 67,3 milhões, quebrando a marca desde 2012. Esse grupo é composto por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram entre os desalentados. Esses são aqueles que desistiram de procurar emprego e somaram 4,8 milhões.

“A população fora da força de trabalho já vinha crescendo, e é importante lembrar que no primeiro trimestre de cada ano, essa população costuma aumentar, porque é um período de férias e muita gente interrompe a procura por trabalho”, disse Adriana Beringuy.

Por ser pesquisada de maneira trimestral, a Pnad desta quinta apresenta números de janeiro, fevereiro e março, sendo que os dois primeiros ainda não haviam sido totalmente afetados pela crise econômica que se instalou no país após a chegada do novo coronavírus. Os efeitos começaram a ser sentidos apenas na segunda quinzena do mês passado.

Também reflexo da pandemia, o IBGE realizou a pesquisa pela primeira vez por telefone, com objetivo de proteger os trabalhadores. Estava, porém, com dificuldades de ouvir os brasileiros.

O coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, explicou a dificuldade para fazer a coleta de dados da Pnad, que teve taxa de resposta dos entrevistados de 61,6%, bem menor do que os cerca de 88% do mês de dezembro, por exemplo.

“A pesquisa não foi desenhada para ser coletada por telefone. Ela tem um tamanho grande e o que fizemos foi para não ficar sem nenhuma informação sobre o mercado de trabalho”, disse Azeredo. Ele destacou que o formato da pesquisa atual precisa ser realizado presencialmente, o que não vem sendo possível por conta da pandemia.

O IBGE, inclusive, perdeu o diretor de informática David Wu Tai, 71, que morreu nesta quarta (29) em decorrência de complicações do Covid-19. Ele estava internado desde 17 de abril na UTI da Unimed da Barra da Tijuca e trabalhou por mais de 40 anos no instituto.

Segundo o coordenador Cimar Azeredo, ainda não se pode dizer até que ponto a pandemia muda o resultado final da pesquisa. “Cada dia é um dia. Estamos fazendo de tudo para divulgar a pesquisa, isso eu posso dizer”, disse.

O país vive uma espécie de apagão estatístico de emprego: os dados do Caged (sobre pessoas com carteira assinada) ainda não foram divulgados neste ano, o detalhamento do seguro-desemprego é irregular e o IBGE mudou a coleta de dados para telefone.

Além disso, o governo afirmou que mais de 4 milhões de trabalhadores formais já tiveram contrato de trabalho reduzido ou suspenso, com empregadores recorrendo à medida provisória do governo para tentar evitar demissões em meio à aguda crise.

O aumento do número de desocupados vem acompanhando a escalada da Covid-19 no Brasil e das medidas de fechamento de serviços não essenciais adotadas para conter a disseminação da doença.

O primeiro caso no país foi identificado em 26 de fevereiro, mas as primeiras medidas de isolamento social só começaram a ser tomadas na segunda quinzena de março.

Até a manhã desta quinta, o país soma 5.466 mortos e 78.162 infectados no Brasil pelo novo coronavírus. Apenas nesta quarta (29), em um único dia o país confirmou 449 novas mortes e 6.276 novos casos do novo coronavírus, mais do que no mês inteiro de março somado.

Fonte: Folha

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