Observações sobre a funcionalidade do processo de ensino aprendizagem atual

Após as primeiras experiências desenvolvidas no ano de 2020, e com a volta das aulas em 2021, fica explícito que o ensino híbrido envolvendo aulas, presenciais, tecnologia remota, e principalmente a presença dos país no processo de ensino aprendizagem dos alunos, tem se tornado cada vez mais presente no dia a dia das famílias. Com isso, a parte estratégica da escola desse novo hoje, precisa estar atenta a saber de que forma esse processo tem sido realmente efetivo sobre a educação dos alunos, e principalmente sobre a saúde emocional das famílias que estão submetidas a esta nova realidade.

Torna-se um desafio para a escola do hoje saber de que forma suas ações e metodologias tem entrado dentro das casas do seu alunado, e de que forma isso tem realmente contribuído para um ensino de qualidade e de resultado efetivo. Portanto, é imprescindível a escola tornar objeto contínuo de mobilização, o diagnóstico de alguns fatores que podem ajudar os gestores, professores e as próprias famílias, a tomarem conhecimento sobre como essa nova forma de funcionamento tem afetado os alunos que estão inseridos nesse processo atual de mudanças. Vale destacar, que esses efeitos tem atingido todas as famílias, independente da sua classe social, da sua faixa de renda, do tamanho da família, do tipo de familia, da infraestrutura domiciliar, do acesso à tecnologia, do tempo dedicado pelos pais ao trabalho entre outros atributos. Todavia, a escola atual precisa entender que essa nova forma de manutenção das atividades escolares atingem famílias diferentes de forma diferente.

Se a escola do hoje não estiver sensível a essas diferenças existentes nas unidades familiares de seus alunos, o resultado da metodologia escolar implantada, continuará sendo discrepante entre os alunos. Vale salientar que, com esta nova conjuntura causada pela pandemia, esse processo de diferenciação na apropriação dos alunos sobre o que foi ensinado pela escola, a partir dessas novas formas de ensino que requer a necessidade de autogestão da educação por parte dos alunos, e da participação mais efetiva dos pais em casa, tende a se intensificar cada vez mais.

Diante disso, torna-se uma necessidade diária a escola estar sensível e a diagnosticar a forma como essa nova metodologia tem entrado na vida das famílias.

Abaixo, seguem algumas perguntas que podem ajudar os gestores escolares a tomar posse desse diagnóstico, buscando assim saber os reais resultados que seu ensino tem trazido sobre a vida dos alunos. A saber:

1 – Os pais ou responsáveis estão dispostos a cooperar com o processo de ensino aprendizagem dos seus filhos?
2 – Os que estão dispostos, tem conseguido ajudar seus filhos nas atividades escolares?
3 – Se sim, essa ajuda tem sido de forma assídua e sistematica?
4 – Como tem sido a relação dos pais ou responsáveis com o processo de ensino que envolve as tecnologias remotas que as escolas estão utilizando?
5 – Essas aulas remotas tem sido satisfatórias?
6 – A escola está sabendo utilizar essas tecnologias de forma eficiente?
7 – Como os filhos tem se portado diante das aulas presenciais e das aulas remotas?
8 – Através dos resultados diários dos seus filhos, você acredita que essa nova forma de ensino tem trazido resultados efetivos sobre a sua educação?
9 – Sua família dispõe de tempo durante o dia para auxiliar os filhos nas aulas remotas que precisam da presença de um responsável?
10 – A sua escola tem proporcionado aos pais dicas de como proceder pedagogicamente no ensino dos filhos nesse novo cenário de ensino híbrido?
11 – A tecnologia utilizada pela escola para proporcionar o ensino remoto apresenta falhas constantes? (Vídeos travando, captação de áudios sem qualidade, internet caindo etc)
12 – Seus professores estão se sentindo confortáveis com essas novas rotinas de ministrarem suas aulas?
13 – Os professores estão aptos a lhe-dar com essas novas tecnologias que estão presentes nas ministrações das aulas?
14 – Sua escola tem proporcionado capacitação para sua equipe saber lhe-dar com essas novas formas de ensino?
15 – Sua escola tem trabalhado o ensino remoto e o processo de autoaprendizagem e autogestão como algo que veio de forma permanente ou como algo apenas que vai durar durante a pandemia?
16 – Esse novo processo de ensino tem sido analisado de acordo com cada peculiaridade das disciplinas ministradas?
17 – Em um universo em que todas as escolas tem adotado o ensino híbrido, de que forma sua escola pode se diferenciar nesse novo processo de ensino? (Planejamento, Estratégias, ações, metodologias etc)
18 – A escola tem se preocupado/sabe de que forma essa nova realidade de ensino, tem atingido as suas famílias de acordo com suas características socioeconômicas?

Esses e outros questionamentos podem ajudar as escolas a ter uma visão mais lúcida sobre o que realmente tem acontecido no processo se ensino aprendizagem, e como esse processo tem se desenvolvido sobre a ótica tanto dos gestores e professores, como também dos alunos e dos pais.

Essa realidade permite concluir que cada vez mais, o planejamento estratégico e situacional, precisa ser uma ferramenta constante no processo estratégico da escola atual, principalmente na atual conjuntura, onde a formulação de um diagnóstico seguro, de uma análise global e setorial externa que aponte as ameaças e oportunidades presentes no mercado, de uma análise interna que mostre os pontos fortes e fracos da unidade escolar, e da elaboração de metas e de um plano estratégico que alcance objetivos aliados a missão da organização, são imprescindíveis, não apenas para a viabilidade econômica das escolas, mas principalmente, para a educação e produtividade futura dos nossos filhos.

Emanuela Monteiro (Licenciatura em Letras, Psicopedagoga e Especialista em Liderança e Coaching)

Renato Silva (Mestre em Economia e Especialista em Gestão Empresarial)